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Referência nacional na pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho, a acreditação voluntária da ANDEST do Brasil promove a melhoria contínua do oferecimento desta pós-graduação pelas Instituições de Ensino Superior – IES e valoriza o papel fundamental dos docentes na formação de profissionais éticos e capacitados. Inscrições para o processo de acreditação foram prorrogadas até o dia 18 de maio de 2026.

A Engenharia de Segurança do Trabalho não é apenas uma especialização técnica; é uma missão humanitária e social que tem como matéria-prima a vida e a integridade física e mental dos trabalhadores brasileiros. Sob essa premissa, a Associação Nacional dos Engenheiros de Segurança do Trabalho (Andest) estabeleceu o programa o Selo de Excelência em 2021 e reedita a cada ano 2026-2027.

É um processo de acreditação voluntária que busca separar o joio do trigo em um mercado educacional cada vez mais saturado por cursos puramente mercadológicos. Com inscrições prorrogadas até o dia 18 de maio de 2026, o edital convoca Instituições de Ensino Superior (IES) a submeterem seus projetos pedagógicos a uma rigorosa auditoria que vai além das exigências legais básicas.

Em entrevista exclusiva para o Portal de Notícias Cipa & Incêndio, a presidente da Andest do Brasil, a engenheira e professora Elizabeth Spengler Cox de Moura Leite, destaca que a entidade nasceu com o único propósito de estimular o ensino de qualidade, respaldada pela Lei 7.410/1985 e pelo parecer que estabelece o currículo mínimo da área.

“O ensino tem que ser de qualidade, porque senão, como é que esses egressos vão ter eficiência (habilidades e competências) na execução das suas atividades profissionais?”, questiona a professora, que dedicou décadas à docência na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Segundo ela, em um cenário educacional que sofreu transformações drásticas nos últimos anos, a acreditação voluntária proposta pela Andest surge como um farol para profissionais e instituições.

“O Selo não é apenas uma honraria, mas um processo de auditoria rigoroso que busca separar as instituições comprometidas com a formação ética daquelas que encaram a pós-graduação sob uma ótica meramente comercial”, ressalta.

Professora Elizabeth Cox, presidente da ANDEST do Brasil Foto: Reprodução da Internet

Uma história de luta pela valorização do ensino

Para compreender o peso do Selo de Excelência, é preciso revisitar a gênese da própria Andest. A entidade foi fundada em 1º de dezembro de 2004, em São Luís (MA), durante a 61ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEAA). Naquele momento, nomes históricos como Wilson Lang, Francisco Machado e a própria Elizabeth Spengler Cox de Moura Leite uniram forças para criar uma tríade orgânica: a Anest (vertente do exercício profissional), a AIEST (vertente internacional) e a Andest, incumbida da educação.

“A Andest nasceu com a missão de estimular o ensino de qualidade e fazer com que essa pós-graduação seja oferecida nos moldes propostos pela Lei 7.410/1985 e pelo Parecer 19/1987, que estabelece o currículo mínimo”, explica a professora Elizabeth Cox, atual presidente da associação. Ela recorda que, embora a entidade tenha passado por um processo de “rebatismo” jurídico em 2020 para se tornar Andest do Brasil devido a questões burocráticas e de cartório, o seu “DNA” de defesa do ensino rigoroso permanece intocado.

As categorias do Selo e a jornada da auditoria

O processo de obtenção do Selo de Excelência é atendimento a requisitos de conformidades técnicas e pedagógicas. As IES que se inscrevem voluntariamente são submetidas a uma auditoria que avalia o atendimento aos normativos dos sistemas educacional e profissional. A pontuação define a categoria alcançada:

  • Nível Bronze (70% a 75% de atendimento): Indica que a instituição cumpre os requisitos básicos e legais para o funcionamento, mas ainda possui pontos de melhoria em critérios de excelência.
  • Nível Prata (76% a 95%): Demonstra um compromisso elevado com a qualidade, aproximando-se da perfeição nos processos acadêmicos.
  • Nível Ouro (Acima de 95%): É o patamar máximo. Para alcançá-lo, a IES deve atender a todos os requisitos legais e normativos dos dois sistemas, além de preencher critérios rigorosos de excelência definidos pela Andest.

A presidente da Andest informa que até o momento, a UniAraguaia, de Goiás, destaca-se como a única detentora do Selo Ouro. O caso da instituição goiana é emblemático para o conceito de “melhoria contínua” defendido pela associação. Na primeira tentativa, a IES não atingiu o nível máximo, mas utilizou o relatório da auditoria para corrigir falhas e, no ano seguinte, conquistou o topo da classificação. “Isso mostra que o Selo não é um fim, mas um processo de evolução constante”, ressalta Elizabeth.

Critérios técnicos e cronograma

O Edital 2026, republicado com prazos prorrogados, detalha etapas claras para as instituições. Após a inscrição, que deve ser feita via e-mail (andestdobrasil@gmail.com), a IES deve enviar os documentos solicitados inclusive o Projeto Pedagógico (PP), comprovantes de regularidade e o cronograma de aulas. A auditoria acontece entre os meses de abril e maio, com a divulgação dos resultados prevista para junho de 2026.

Um detalhe importante: o Selo concedido em 2026 tem validade para o ano de 2027. No caso dos níveis Bronze e Prata, a validade é de 12 meses, exigindo nova auditoria anual para incentivar a subida de categoria. Já o Nível Ouro possui validade estendida de 24 meses (2027 e 2028), premiando a estabilidade da excelência atingida.

Serviço: Inscrições para o Selo de Excelência Andest do Brasil 2026-2027

Prazo: Até 18 de maio de 2026

Informações: andestdobrasil@gmail.com | www.andestdobrasil.org

O perigo da precarização: presencial vs. EAD

Um dos pontos mais sensíveis abordados pela professora Elizabeth é a transição forçada do ensino presencial para o Ensino à Distância (EAD) durante a pandemia. Se em 2022 o Brasil contava com cerca de 140 cursos presenciais distribuídos pelo país, o panorama atual mostra uma predominância esmagadora de cursos remotos. A grande crítica da Andest não reside na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada.

“O que a gente vê hoje é um panorama invertido. Há muitos cursos no formato EAD e poucos no presencial. O problema é que, nos cursos totalmente EAD, as aulas são gravadas e repetidas de forma automática para todas as turmas, sem a preocupação com a atualização”, alerta a eng. Elizabeth. Na Engenharia de Segurança do Trabalho, na qual as Normas Regulamentadoras (NRs) e as legislações se atualizam com frequência, um conteúdo gravado há dois anos pode levar o futuro egresso a erro técnico grave.

Por essa razão, o Selo de Excelência da Andest é taxativo: só são aceitos cursos nas modalidades presencial ou síncrona/híbrida. No formato síncrono, o professor interage em tempo real com o aluno, mesmo que via tela. 

“O exercício real da docência é através da interação dia a dia, é trocar de olhares. Pelo olhar do aluno, o professor percebe se o conteúdo foi absorvido. É impossível ter essa interação com uma gravação”, afirma a presidente, que é professora de carreira desde 1978 e lecionou por mais de quatro décadas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O professor como pilar central

A Andest entende que não há ensino de excelência sem um corpo docente valorizado. O edital do Selo exige que as instituições apresentem o quadro de professores com suas devidas qualificações e comprovem a execução das aulas. Elizabeth Cox defende que o professor de EST deve possuir tanto o conhecimento acadêmico quanto a vivência prática da execução no mercado.

“A nossa é uma engenharia humanística. Cuidamos da força de trabalho brasileira. Por isso, um corpo docente capacitado, bem pago e valorizado é essencial para que o saber vire sabedoria através do questionamento e da interação”, pontua. A associação inclusive mantém o Programa de Valorização dos Professores, homenageando anualmente mestres com mais de 30 anos de serviço, reafirmando que a educação é feita por pessoas para pessoas.

O futuro da profissão

Olhando para o futuro, a professora Elizabeth Cox enxerga um mercado de trabalho cada vez mais “pujante e exigente”. Para ela, o engenheiro de segurança do trabalho do futuro não pode apenas “atender às normas”. Ele deve ser um gestor de processos humanos, capaz de entender as relações de trabalho e promover a harmonia laboral.

“O Brasil precisa de profissionais de gabarito. No dia 1º de maio, celebramos o Dia do Trabalhador, e a melhor forma de honrar essa data é garantindo que quem cuida da vida dessas pessoas tenha passado por bancos escolares sérios e comprometidos com a formação do egresso”, conclui a presidente da Andest.

O Selo de Excelência, portanto, firma-se como a maior ferramenta de proteção da sociedade contra a “formação de papel”, garantindo que o título de Engenheiro de Segurança do Trabalho continue sendo sinônimo de proteção, ética e, acima de tudo, humanística.

Cronograma do Programa de Avaliação 2026

Inscrição e apresentação de documentos ----------------------- 19/02 a 18/05

Habilitação (Verificação de requisitos) -------------------------- 30/03 a 22/05

Análise e Classificação (Bronze, Prata, Ouro)  ------------------- 20/04 a 26/05

Homologação pelo Conselho de Ex-presidentes  ---------------- 18/05 a 30/05

Divulgação dos Resultados ------------------------------------------- 05/06

5ª Edição

Revista ANDEST do Brasil

Ensino de Qualidade

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